O Street Art como Estilo

Agora vou fugir um pouco da área criativa de publicidade e comunicação e enveredar um pouco por outras áreas, como a arte. Nesse artigo abordarei agora a parte de um estudo de marketing que fiz ainda nos tempos de faculdade. Como que a cultura de rua (o street) ganhou espaço, voz e respeito de muitos e deixou de ser um exemplo de contra-cultura. São diversos fatores que influenciam, é a música, jeito de falar e vestimentas que são componentes tão enraizados nas cidades modernas que, o que para muitos de nossos avós era tido como delinquência, para muitos de nós não existe vida sem isso.

Tatuagem, graffiti, tênis, boné, calças jeans e moletons são reflexos do comportamento contemporâneo aberto a efemeridades da vida, onde tudo que é novo pode ganhar o respeito, e isso mudou o comportamento de uma geração de artistas. Hoje vemos a mídia mainstream falar abertamente da cultura de rua, com novelas e até expondo artistas – como Liuntenant Kali em Amizade Colorida – em filmesou ter um graffiti inteiro de Os Gêmeos num avião de uma companhia aérea nacional.

 

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Sobre o street style

A mescla é a tona da arte rua, um grito através de cores e formas, representando os marginais – negros, latinos e menos favorecidos dos guetos norte-americanos. Nos anos 80 a coisa explodiu, o RAP começou a tomar conta das rádios, assim como a dança de rua era uma novidade junto do graffiti. Duas décadas após o surgimento desses elementos e da consolidação da cultura de rua, muitos já afirmam que o pop tornou-se o street e vice-versa. No Brasil não foi diferente e vemos também influências fortes da cultura de rua no dia-a-dia das cidades.

 

Para os artistas as ruas tornaram-se uma grande galeria. São Paulo é uma das cidades com o maior número de graffitis no mundo, junto de Nova York, que impera como a Meca dos graffiteiros. Os termos “arte urbana”, “arte de guerrilha”, “pós-graffiti” e “neo-graffiti” também são usados às vezes quando se refere a arte criada nestes contextos, pintada com spray, a própria obra de arte do graffiti tradicional é muitas vezes incluídos nesta categoria, excluindo pichações e/ou vandalismo puro.

 

Os artistas que escolhem as ruas como a sua galeria possuem uma preferência de se comunicar diretamente com o público, livre de limites percebidos do mundo formal de arte. Artistas de rua, por vezes, apresentam seus conteúdos socialmente relevante infundida com valor estético, para atrair a atenção para uma causa ou como uma forma de “provocação arte”.  Viagens entre países para difundir projetos é um costume entre artistas de rua. Alguns artistas ganharam muita atenção por conta disso, mídia de arte do mundo todo deram atenção, e passaram a trabalhar comercialmente nos estilos que fizeram o seu trabalho conhecido nas ruas.

 

O street art virou então uma referência

Com a virada para os anos 2000, o estilo que nasceu nas ruas de grandes metrópoles nos anos 80, ganhou as galerias. Grandes artistas perceberam seu potencial, artistas desconhecidos ganhavam notoriedade e, junto disso, a indústria audio-visual contribuiu bastante para esse crescimento. Artista da Black Music, R&B, Hip-Hop e RAP mudaram comportamentos, visões e forma de interagir com esse estilo de vida informal e urbano. Com isso, questionamentos foram levantados, e o principal dele é: teria o estilo da rua perdido sua essência de contestador?

 

quadro mike shinoda arte graffiti ilustração

 

A partir de apropriações do estilo e o que dele foi absovido pelo sociedade, aos poucos foi deixado lado como estilo marginal. Hoje em grandes academias e escolas de artes e design existem disciplinas voltadas completamente para o ensino da street art. Sua abordagem contemporânea, ajudou grandemente as gerações mais novas a se interessarem pelas artes e design, fazendo também com que ocorra uma renovação no meio. Estreitando assim os laços entre academia e criação independente.

 

Assim como no movimento musical do hip-hop, em que a improvisaçã é uma “arma” imprecindível, o artista gráfico ou grafiteiro, se deixa apropriar disso, não fazendo nenhum tipo de rafe, sketch ou programação de como ficará a peça artística urbana. Então, como que um milagre muitas vezes temos algumas peças que chegam a ter um ritmo quase que musical, e que aparentemente não significam absolutamente nada se não for apresentada juntamente à um contexto.

 

Além disso é claro, ainda são maioria os que sequer estudam; e desenvolvem um estilo próprio. No Brasil temos o exemplo mais forte na figura dos irmãos Os Gêmeos.

Fora do Brasil, eu busquei influências também, e para a mim a mais forte seria os artistas do Linkin Park. Mais específicamente Mike Shinoda e Joe Hahn. Responsável por criações gráficas do Linkin Park, como capas dos cd’s, ilustrações publicitárias, adesivos, identidade visuais e até exposições completas de ilustrações e quadros, Shinoda se mostra um artista diversificado.

 

 

A dupla Shinoda e Hahn, são formados pela Art Center College of Design em Pasadena, na Califórnia. Mostrando que os laços que estreitam as relações do popular com o acadêmico vão muito além do que podemos perceber. Deixando claro que a cultura popular pode também “adicionar”, por isso um movimento cultural foi desenhado.

 

 

Para Shinoda por exemplo, a estética da arte de rua ultrapassa muros e sprays, sendo transpostas em telas através de materiais artísticos tradicionais, como a tinta acrílica. Apesar de músico, a arte – principalmente a ilustração – é demonstrado como um fator diferenciador na carreira que Mike Shinoda. As capas dos primeiros discos do Linkin Park e do Fort Minor são obras de sua autoria, e vamos combinar, quem é que não foi conquistado primeiro pela capa e depois pela música?

 

 

Seguindo no conceito de arte marginal trazida para o mainstream, no Brasil um grupo de ilustradores vêm fazendo barulho há alguns anos. O Bicicleta Sem Freio, de Goiânia, consegue aliar a estética moderna à cultura de rua e ilustrações com uma pegada bem skateboard art.

 

Muitas cores, mulheres semi-nuas e uma aparente psicodelia. Essa é a arte do Bicicleta Sem Freio. Conheci o trabalho do coletivo no ano de 2012, quando estiveram aqui em Vitória para a Semana da Design da Ufes. Na conversa descobrimos que foram responsáveis pelas ilustrações do clipe da banda de rock Black Drawing Chalks – que tem um de seus integrantes um dos artistas do grupo – que havia sido produzido em parceria com o escritório goiano Nitrocorpz.

 

 

Fora do Brasil, temos exemplos de diversos ilustradores que tem a street art correndo nas veias. Hydro74 e Palehorse são daqueles artistas que chocam com a qualidade estética de seus trabalhos, que são inteiramente digitais. Neles encontramos influências de skateboard art, tattoo art e street culture, se não os conhece ainda é só conferir.

A verdade é que com a vida cosmopolita das metrópoles, é muito difícil algum artista ou designer não ser impactado e influenciado por esse estilo de arte, que está espalhado por quase todo muro de uma metrópole. Quando afirmamos isso é porque, particularmente sou bastante influenciado por esse tipo de trabalho, tendo inclusive influenciado na estética de alguns trabalhos que já realizamos, como os que estão abaixo.

 

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Agora quero saber de vocês amigos leitores, esse estilo de rua e contemporâneo faz a cabeça criativa de vocês? Não, então qual o estilo/escola preferida de vocês? Compartilhe, comente ou apenas deixe seu recado, é muito importante para nós.

Até o próximo artigo!

 

By | 2015-05-07T11:39:45+00:00 maio 5th, 2015|Criatividade, Design|0 Comments

About the Author:

Business = Hustler, Designer = Hipster. CEO da Agência Elemento, um cara que ama conteúdo, aprendizado e New York City.