Você sabe contar boas histórias? Entende que boas histórias podem mudar seu negócio?

 

Faz algum tempo que tenho observado e tentado produzir um artigo sobre um assunto tão comentado nos últimos anos, o dito storytelling. Não é novidade para ninguém que contar histórias enriquece qualquer forma de venda, seja ela do produto ou serviço que for, histórias cativam pessoas e pessoas cativadas geram negócios. Se quiser saber mais um pouco sobre o conceito de storytelling, confira este artigo do Canal do Empreendedor.

De forma compacta, o storytelling é considerado uma ferramenta de comunicação. Seu nome tem origem inglesa – story (história) e telling (contar) – e a “técnica” consiste em uma história com começo, meio e fim, contendo um clímax e personagens marcantes. É uma receita simples, que está pronta para fazer você dialogar de forma efetiva com seu público.

Apesar de ser uma receita bem simples, engana-se a pessoa que pensa que storytelling se resume a um conto qualquer. Para que funcione, a história deve conter elementos forte que liguem e instiguem emocionalmente seu público, trazendo-os próximos para a sua marca.

 

Particularmente eu sempre tive interesse em ilustração e concept art, desde de moleque, quando comecei a jogar RPG e Magic: The Gathering, o mundo das ilustrações fantásticas e como são construídas e quais as histórias que contam em um pequeno quadro. Isso simplesmente me fascina. Ali o processo se torna massivo, o ilustrador tem a obrigação de contar uma história através da imagem e isso é simplesmente fantástico. Porque é fantástico? Pense comigo, o ilustrador recebe um roteiro finalizado, pronto para ser editado, no entando este roteiro não se tornará um livro. A história deverá ser contada através de ilustrações em cartas de jogo ou em passagens de um livro técnico, como são os livros de RPG. A responsabilidade fica toda a cargo do ilustrador, que lerá a história, interpretará e então criará uma representação gráfica do que entendeu.

 

Entendeu como é complexo? Nem sempre o que este ilustrador consegue desenvolver da história é o que o autor, inicialmente, pretendia representar.

 

A pesquisadora Nicole Speer, da Universidade do Colorado e que pesquisa memória e percepção, afirma que aproximadamente 70% de tudo o que aprendemos acontecem através de histórias contadas das mais variadas formas, não importando o meio que é propagada.

 

Todo pequeno aspecto de uma ilustração conceitual conta um pedaço da história, a paisagem, os seres envolvidos na cena, posturas de seus corpos, enfim, uma infinidade de variáveis que no conjunto ajudam o espectador entender a ideia.

 

Storytelling onde menos se espera

 

Tomando livros de RPG como um exemplo primordial, temos suas ilustrações muito bem produzidas que atuam de forma à criar estruturas  para envolver o leitor, jogador, mestre e todos mais que estiverem envolvidos com o jogo e  o livro. Mas envolver de que forma?

A narratividade que é construída é a arma para envolver e assim prender a atenção dos usuários. As formas de se construir uma boa narrativa são várias, e no caso de jogos como o RPG, em que o usuário monta a história de sua forma, baseado-se em histórias previamente contadas e fatos imaginários, é preciso usar alternativas que não somente palavras, daí o motivo de muitas ilustrações.

 

livro - o poder da narratividade ilustrada - storytelling

 

Criaturas fantásticas, objetos que nunca vimos, metais preciosos inexistentes; a ilustração faz – nesse caso – a cabeça do autor ganhar vida, torna tudo num  realismo fantástico. Como um grande exemplo de material clássico para storytelling fantástico em ilustrações, Frank Frazetta, foi o precursor nesse estilo.

 

Neste ponto podemos entender um pouco mais do processo de design que envolve estas obras. Projeto gráfico do livro, tipografias e elementos extras são de extrema importância. Entender como o usuário irá interagir com aquela interface – sim, considere livros e objetos como interface – é primordial para o êxito, e querendo ou não, como o usuário irá entender as ilustrações; principalmente porque durante o conteúdo, em meio à regras e outras informações, uma história é contada paralelamente com as ilustrações, que sempre estão ligadas ao conteúdo do capítulo.

 
margic - poder da narratividade ilustrada - storytelling

 

Já com o jogo de cartas colecionáveis, Magic: The Gathering, o caráter narrativo das ilustrações está muito mais evidenciado. Dividido em diversas sagas, suas cartas, enquanto objeto, individualmente, é a ferramenta para o jogo; quando tratadas em conjunto, são fragmentos de uma história; que é contada através suas ilustrações.

 

Todo apuro visual e cuidado com o desenvolvimento dessas cartas se dá por conta de alguns fatores, e o principal é o manter a unidade imersiva, ou seja, ao jogar o usuário é inserido de forma aprofundada no mundo Magic: The Gathering. Uma coleção formada por diversas histórias que se interligam – emulando um mundo mágico, que o jogador se transformar em um poderoso feiticeiro invocando criaturas e elementos mágicos – essas histórias que se interligam, quebram a linearidade da narrativa, porém não faz perder o entendimento, a forma de fazer o usuário se aproximar daquele universo.

 

evincar - o poder da narratividade ilustrada - storytellingevincar tirano - poder da narratividade ilustrada - storytelling

 

Storytelling como ferramenta de consumo

 

As metáforas fantásticas não estão limitadas somente ao mercado de produtos para Geeks, como já foi contemplado em outro artigo aqui no blog, cervejarias artesanais tem se utilizado de temáticas fantásticas para desenvolver uma atmosfera em torno de seus produtos.

 

Por se tratar de um produto de alta capacidade de diferenciação, é importante que a estratégia esteja alinhada com o produto. Algumas marcas me chamaram a atenção nessa empreitada do storytelling para os rótulos. A americana Stone e a canadense Unibroue.

 
stone - poder da narratividade ilustrada - storytelling

 

 

A Stone Brewing já tem muito a dizer somente com sua marca. A gárgula mascote, presente em suas representações gráficas desde a marca até as embalagens ditam o ritmo da atmosfera que será contada através dos rótulos de suas cervejas, e complementadas após a degustação de seus produtos. No Pinterest da agência vocês encontraram um painel exclusivo para cervejarias, podem conferir um pouco mais do excelente material dessas cervejarias.
stone garrafas - poder da narratividade ilustrada - storytelling

 

Já com a canadense Unibroue, a marca, por si só  possui traços interessantíssimos, carregados de cultura e regionalismo. Essa foi uma marca, que me atraiu ao produto por conta da marca e seus rótulos, confesso.

Com uma boa gama de produtos, essa cervejaria aposta no branding e storytelling bem construídos para cativar um público crescente. Mesmo com a barreira de nomes em francês, a marca constrói uma atmosfera interessante, em que a comunicação visual e sensorial diferencia o produto frente aos concorrentes. Nomes como Maudite, Trois Pitoles e La Fin du Monde, são apenas alguns dos produtos da marca.

 

unibroue - poder da narratividade - storytelling

 

A arte e a história em ênfase narrativa

 

Os rótulos muito bem trabalhados artísticamente, constróem toda uma atmosfera em torno de algum acontecimento histórico que remete diretamente ao nome da cerveja, que por sua vez, tem grande ligação com os ingredientes utilizados na preparação da bebida. Confira alguns desses maravilhosos rótulos.

 

maudite - poder da narratividade ilustrada - storytelling

 

Para nós, profissionais criativos, o uso do storytelling como diferencial já é notório; mas quando temos uma pequena cervejaria fazendo este tipo de trabalho, é fantástico. Enles não somente vendem um produto, vedem uma experiência completa ao consumir seus produtos. Somos levados direto para o caminho que os ingredientes fazem até chegarem a nossas mesas.

 

Aos mais curisos, surgem questionamentos sobre os elementos do rótulo e a relação deles com o sabor da cerveja. Enfim, sinestésicamente falando, a publicidade torna-se mais simples. Ao invés de termos uma verba alta, investida em campanhas de comunicação, o rótulo, o branding e uma história bem construída fazem boa parte desse trabalho.

Agora pense nas cervejarias locais. Pensou? Imagine fazer a diferença para eles. Nós criativos temos a obrigação de ajudá-los. Crescer um negócio é parte vital para todo administrador, e com o movimento do Support your local beer, a competitividade aumenta e então temos a oportunidade para atuar. Pense bem, quantos designers você conhece que atuam nessa área? É um nicho novo, pronto para ser desbravado e clientes a serem encantados por trabalhos criativos de qualidade.

 

Esses são alguns dos casos em que uma história bem construída, estruturada e principalmente replicada transforma o produto. O público passa a amar seu produto, torna-se companheiro e mesmo que não seja o produto de principal consumo, invariávelmente terá espaço na memória dos consumidores.