O que Renato Faccini pode nos ensinar

Ilustração é um ramo que muitos designers escolheram para atuar, um deles é o Renato Faccinidesigner carioca que descobriu sua paixão pela ilustração ainda na faculdade, e agora é uma grande referência para quem quer seguir carreira.

 

Tendo como referência profissionais como Barry Windsor-Smithe atuando desde de ilustrador até colorista de quadrinhos, Faccini se mostra uma pessoa extremamente acessível, super aberto a compartilhar conhecimento e grande figura profissional.

 

Conheci o trabalho do Faccini em 2010 durante a SDesign, em um workshop de ilustração promovido durante o evento. Valeu cada segundo de compartilhamento, além de ter garantido um puta sketchbook! Após esse evento ainda tive outras oportunidades, como no NImersão em Curitiba, quando assisti a palestra “Design é a minha vida?” e um outro workshop no RDesign Vitória 2011.

Vamos ao nosso bate-papo!

 

5 Perguntas – Faccini!

Renato, conte-nos um pouco da sua história, e também o que você faz hoje.

 

Quando entrei para a faculdade, fiquei tão alucinado com design que acabei desenhando bem menos do que deveria (estranho!). Desenho para design e desenho para ilustração são diferentes, apesar de muito complementares. Fiz design de produto (e adoro ter feito!). O volume de ilustrações aconteceu de uma forma muito natural, quando fui gradualmente recebendo encomendas. Conforme fui entrando nesse mercado, conheci muitos designers que lembravam de mim quando precisavam de ilustração. Hoje tento fazer de tudo dentro de ilustração e design, porque gosto de tudo.

 

 

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Você transita por diversas áreas do mercado de ilustração, qual a mais desafiadora e interessante, e qual é a mais complicada?

 

Aprendi a amar todas da mesma forma. Hahahaha!

Vejamos: eu trabalho basicamente com editorial e publicidade. Nos seus desmembramentos, já fiz: layouts, moodboards, storyboards, quadrinhos, cartazes, anúncios, capas de livro, capas de revista, ilustrações de artigos para revistas de moda, curiosidades, adultas, negócios, adolescentes. As mais desafiadoras e interessantes variam dentro do tema. Depende do assunto, tamanho, prazo, cliente e direção de arte.

 

 

“Desenho para design e desenho para ilustração são diferentes, apesar de muito complementares.” 

Ter um dia para fazer uma ilustração é um baita desafio! De maneira geral as com temas científicos são muito desafiadoras. Qualquer ilustração com muitos elementos é complicada. O maior desafio é ter um assunto novo sobre o qual você nunca trabalhou antes. E é claro, cada profissional vai ter o seu assunto preferido.

 

Então vamos assim: são vários níveis de desafio e de interesse.

 

 

O mercado de ilustração está vivendo um hype, no auge da curva?

 

Imagino que estamos em um círculo, sempre vamos ter altos e baixos. Não sei se estamos vivendo o hype da ilustração. Me parece que a demanda é bem setorizada e deve se manter assim.

 

Renato Faccini Cthuclhu artwork comic coloring

 

 

Sabemos que as ferramentas para ilustração estão mais acessíveis, e o mercado vem se transformando diariamente. Como você enxerga e projeta o mercado de ilustração para os próximos 5 anos?

 

5 anos é tempo suficiente para muitas novidades, mas é pouco tempo para que possamos medir um cenário amplo e significativo. A impressão daqui a 5 anos vai ser que está tudo bem parecido, só que com 5 versões do Photoshop pra frente. Provavelmente o mercado mais afetado vai ser o editorial, mas é fácil falar isso agora porque as mudanças já estão acontecendo. As tiragens impressas estão diminuindo, mas as edições digitais acabam aumentando, e novos nichos se abrem por causa disso, sejam impressos ou digitais.

 

 

 

“Ter um dia para fazer uma ilustração é um baita desafio!”

 

 

 

 

Agora, para encerrar, conte-nos um pouco da sua rotina como ilustrador. Como se dá o seu processo criativo? Quais são os passos até o material final?

 

A minha rotina é, todos os dias, tentar não ter rotina!

Direcionei todo o meu trabalho até aqui parar ter liberdade de fazer experiências e testes, e é isso que eu tento manter. Sempre que é possível tento trabalhar uma linguagem nova de ilustração, ou qualquer detalhe que seja diferente do meu habitual. Quando não é possível, às vezes forço a barra. E nem sempre as pessoas vão perceber que fiz isso. O importante é que cada trabalho seja melhor que o anterior. É tipo um jogo.

Tem muita mistura de tradicional e digital. Acho surpreendente que digital x manual ainda seja uma questão em 2015. Muitos alunos ainda tem essa dúvida, e provavelmente isso vai continuar para sempre. Mas todas as técnicas são benéficas e complementares. Todas são ferramentas que precisamos conhecer bem.

E sobre a metodologia, claro que cada trabalho exige detalhes diferentes. Às vezes ele acontece de maneira orgânica, às vezes na tentativa e erro, às vezes na sorte, e às vezes é mais padronizado. Mas penso que tudo que eu faço é diretamente derivado da minha cabeça de designer.

By | 2016-11-17T22:17:24+00:00 junho 30th, 2015|Design, Entrevista|1 Comment

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Business = Hustler, Designer = Hipster. CEO da Agência Elemento, um cara que ama conteúdo, aprendizado e New York City.