Será que seus clientes se importam com seus prêmios?

Será que uma estante recheada de prêmios lhe trará mais clientes, ou serve apenas para amaciar o seu ego?

 

Essa é uma pergunta que muitas vezes passa na cabeça de executivos de agências iniciantes de pequeno-médio porte, principalmente quando estamos inseridos em cenários e mercados menos amadurecidos.

Existe aquela pressão do mercado, se você é realmente bom e está ativo no mercado, algum tipo de prêmio a sua agência já deve ter participado.

Mas verdade é que prêmios são, e sempre serão, um fator egocêntrico e emocional; tanto para nós criativos como para nossos clientes. O critério de sucesso de cada job é definido no momento do briefing, no entanto, esse fator dependerá do DNA da sua agência.

Quantas vezes não nos deparamos com clientes que “enchem a boca” para dizer que sua agência já ganhou esse e aquele prêmio?!

O status quo  que paira sobre o mercado criativo é esse, se tem prêmios o reconhecimento vem, se não tem, corra atrás de um; afinal todas as grandes agências e escritórios de design possuem prêmios em suas prateleiras.

A quebra desse status quo se dá quando percebemos que muitas vezes esses prêmios não são exatamente orientados ao mercado, mas sim, forma de laurear apenas a criatividade por criatividade.

Responda com sinceridade, o que é mais digno de prêmio para você: uma campanha ultra-criativa, que não possui tanta abrangência e veiculação, ou campanhas modestas que ajudam o cliente a vender mais?

Particularmente, compartilho a visão de muito por aí; inclusive do Gary Vaynerchuk.

Não existe prêmio maior do que a satisfação de um cliente vendo sua curva de vendas crescer, graças a um trabalho bem executado. Melhor, além da satisfação do cliente, nada é superior à uma campanha que marca um período, uma geração ou até mesmo, cria uma tendência. Particularmente, essa é a maior das premiações.

Certa vez, ouvi num evento que “prêmios, são apenas, prêmios”, o que definirá o seu reconhecimento profissional não são apenas esses fatores. Obviamente, não podemos excluir o lado importante, de que os prêmios mudam a carreira de qualquer pessoa, desde que saiba como tirar o proveito.

Além de todos esses fatores já falados, prêmios tem uma outra faceta, são excelentes termômetros entre mercado e academia.

Apesar de todo o egocentrismo ser sempre a principal problemática envolvendo prêmios e premiados, não podemos deixar de lembrar que são através de exposições, concorrências e concursos que passamos a ter alguma noção de quão distante estamos da realidade do mercado. Óbviamente, pessoas talentosas e que trabalham duro, merecem o reconhecimento. Designers e Diretores de Criação em várias localidades do mundo, concordam que em prêmiações, deve-se deixar o ego de lado e apostar; afinal nosso trabalho enquanto criativos, quase sempre, não é para nós e sim para terceiros.

Os dois lados da moeda nas premiações

Certa vez, li numa edição da revista Computer Arts, que a agência Ogilvy&Mather de Shangai, foi selecionada e concorreu a prêmios como D&AD e o Art Directors Club,  inclusive, ganhando um ADC Gold Cube com peça (exposta acima) para a Coca-Cola.

A peça criada pelo designer Jonathan Mak, de Hong Kong, é simples e genial. Além do reconhecimento, trata-se de dar crédito a quem merece.

Se considerarmos que em algumas peças de publicidade e de design, como nas capas de livros em que os artistas têm seus nomes expostos. Já em diversas outras, os criativos da indústria são mantidos em total anonimato.

Da TV para as campanhas publicitárias ao ar livre e projetos digitais e outros, os nomes das pessoas raramente são ligados ao trabalho, o que temos geralmente é uma assinatura de uma empresa por trás do desenvolvimento, ou seja, o troféu fica com a agência e os criativos responsáveis pela criação, recebem o direito de dizer que ganharam.

Para muitos isso é o suficiente, para outros não. A verdade é que prêmios por si só não dizem nada. Para quem ganha, pode ser apenas um pedaço de metal brilhoso na estante, ou mais um ponto do forte para a venda de seus serviços.

Enfim, novamente, caímos na velha discussão do ovo e da galinha, afinal quem veio primeiro?

No caso dos prêmios, me pergunto, deveria-se premiar empresa responsável, criador, criação ou o conjunto desse ecossistema? Sabemos que por costume é a criação, mas atualmente a vida de muitos profissionais está pautada nesse quesito: O quanto você é premiado.

Entenda uma coisa, ser premiado não é tudo na vida e nem deve ser seu principal objetivo. Não tenho nada contra premiações, muito pelo contrário. Gosto, e muito! Afinal, quem não gosta de ter reconhecido um esforço grande, suor excessivo e também grande dedicação?!

Grandes mercados, como o de São Paulo, é natural ter parte do seu foco voltado para prêmios.

A realidade focada em grandes clientes e campanhas inovadoras faz com que isso ocorra naturalmente. Em outros nichos, mesmo não tendo potencial para participação em premiações de nível mundial, é necessário que se eleve cada vez mais os critérios das premiações locais.

Somente assim, um mercado subdesenvolvido pode conseguir amadurecer a ponto de manter a roda da evolução girando e não cair no eterno e confortável comodismo.

Não coloque a culpa no cliente

Pode ser chocante e contraditória a forma como iniciei essa parte do artigo, mas de uma coisa eu tenho certeza na minha carreira: Não coloque a culpa no cliente por você não ganhar prêmios.

Por pior que seja o mercado, e consequentemente a premiação, clientes não tem culpa de seu aparente insucesso. O fato é que devemos manter nossos padrões sempre o mais alto possível, mirar nos maiores e melhores.

“O ornitorrinco é o pato aprovado pelo cliente”

Affonso Solano

Se o ornitorrinco é o pato aprovado pelo cliente, como dito pelo escritor e ilustrador Affonso Solano, a falta de prêmios de importância e reconhecimento é automaticamente responsabilidade da falta de curadoria por parte dos executivos de criação e/ou direção da agência.

Peças premiadas passam por um processo minucioso de curadoria e desenvolvimento especial, visando o almejado prêmio. Para muitos criativos isso significa extender expediente na agência, para fazer aquela campanha que o cliente não aprovou e será bancada pela agência, apenas para concorrer ao prêmio tão almejado.

Bem, digamos que isso são ossos do ofício, certo? Afinal, toda indústria possui seu meandros e espaços determinados para destaque.

Sendo, por mais pomposo e legal seja participar de premiações e ter uma estante cheia de troféus seus clientes querem trabalhos pronto e com resultados concretos. Prêmios são apenas mais uma parte do show que nós criativos e agência fazemos e participamos para deixar tudo mais interessante.

Conclusão

 

Precisamos entender que independente do caminho que iremos seguir, se será os dos holofotes e do palco ou não, prêmios fazem parte da indústria e precisamos aprender a conviver com eles, para o bem do negócio.

Agora se única missão do seu negócio enquanto existe seja adquirir prêmios, acredito que já nasceu fadado a dar errado.

Posso errar, pois obviamente, o que não falta nesse mundo são pessoas talentosas. No entanto, prêmios por prêmios, servem apenas para engordar currículo e enfeitar prateleiras.

Ainda acredito que o bom trabalho é realizado através da entrega constante e diária para seus clientes, buscando melhorar vendas, exposição e lucratividade.

Então, qual a sua opinião sobre esse assunto polêmico? Qual a sua vivência nesse mercado?

By | 2016-10-10T11:10:59+00:00 novembro 27th, 2014|Business, Criatividade, Design, Publicidade|1 Comment

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Business = Hustler, Designer = Hipster. CEO da Agência Elemento, um cara que ama conteúdo, aprendizado e New York City.