Estava em meio a uma conversa com meu amigo Cássio Ferreira sobre salários, profissão, agências, estúdios e outras relações de nosso mercado e desenvolvimento da carreira. Por coincidência, me lembro que algum tempo atrás, estourou uma discussão acalorada sobre valores de tabela surgida de algum cantão desse país maluco que se chama Brasil. Pois bem, o que isso tudo me interessa é que, me ajuda neste artigo e, em especial, apimentar um pouco a discussão para nosso mercado local no Espírito Santo e o desenvolvimento de carreira, para cada um de nós.

 

Durante o meu tempo de caminhada profissional e acadêmica, 6 anos de curso de graduação que se confundem com os 5 anos de mercado- sei que ainda tenho muito pela frente – percebo que a grande armadilha que nos reserva é a falsa realidade e a expectativa de glamour, que cerca o mercado de design e comunicação como um todo. Espelhados em exemplos do eixo Rio/São Paulo/Minas – e muitas vezes do mercado internacional – anualmente diversos vestibulandos procuram cursos de publicidade, design, marketing e áreas afins da comunicação, acreditando que conseguiram ficar ricas e bem de vida. O que esquecem de fazer com essas pessoas é o tratamento de choque, o famoso “what you see, what you get”.

 

Sabemos que a realidade não funciona assim. Em mercados menos expressivos, como o nosso do Espírito Santo, a realidade dá um choque muito maior.

 

Ainda nos primeiros períodos de faculdade existe um oba-oba, grandes expectativas, glamour e até mesmo um egocentrismo que envolve os estudantes. Mas aos poucos a realidade surge. A pressão por dinheiro, experiência e produção profissional fazem estes estudantes procurarem estágios e então, tentar vislumbrar um lugar ao sol. O choque começa aí.

Obviamente  não são todos, mas ocorre um desvio de comportamento, quando se pergunta o que se espera do curso e onde esses estudantes querem chegar. Em 2006 quando iniciei a minha graduação, lembro bem do professor Mauro Pinheiro perguntando isso em uma aula de Projeto 1. Ouvimos proposições como próximo Washington Olivetto, um concept artist de games e por aí vai. Muitos tinham alguma noção do que poderiam fazer, outros tinha a visão distorcida pelos grandes mercados e sonhos pessoais e alguma parcela não fazia ideia do porque estava ali.

 

Quem tem os pés no chão, pode até ser motivado por atuações existentes em mercados do exterior – cidades e países – mas deve-se saber que a realidade de nosso estado é diferente, suado, pequeno em cabeça e tamanho. E aí você tem duas opções: tentar mudar o seu entorno ou adaptar-se para tirar o melhor proveito que conseguir.

E como melhorar nossa carreira?

 

Atualmente a vida para estudantes de design, publicidade e marketing aqui no estado melhorou muito. A internet como encurtadora de distâncias facilitou trabalhos de freelancer, ou até mesmo, cair no conhecimento global em uma rede social, como o Linkedin.

O certo é que cada vez mais vagas em empresas bacanas surgem, bons salários e sempre cercados de uma coisa: promessas.

 

Essas promessas, podem e são muitas vezes, em vão; em dados momentos ouve-se mas não vê-se realizações. Aí então começa a espiral problemática, a crise de identidade profissional, e começamos a nos questionar: escolhi o curso certo? será que conseguirei sustentar uma família? ganharei algum dinheiro?

 

Em algumas empresas, geralmente estatais, a bolsa-auxílio para estagiário beira os R$1.000,00 (ou passa disso). No entanto, a realidade do mercado é a outra. Em empresas de iniciativa privada, o oferecimento de bolsas mais modestas e oportunidades de geralmente, trabalhar mais, assustam esses estudantes.

Então, voltando a conversa com o Cássio, vejo um posicionamento bom e interessante; porém preocupante. Estudantes não querendo estagiar por valores menores que R$800 e recém formados não querendo ter suas carteiras assinadas por R$1000/R$1200. Realmente, para recém formados o valor salarial está a baixo de um, suposto, piso salarial; porém, não é apenas o dinheiro que deve ser sua motivação. Num mercado que já temos tradicionalmente, clientes voltados para o preço das coisas, não no valor; esta distorção para estagiários e profissionais iniciantes no mercado pode gerar uma ruptura e possível falência de renovação.

 

Se dinheiro, e apenas ele, for o ponto principal de sua vida profissional, você está perdido. Agora, se além de um bom retorno financeiro, você deseja ter realizações, fazer a diferença e se sentir completo, vá empreender, simples assim. Você mudará a vida de alguém, isso é certo.

 

E a tabela de valores?

 

Então chegamos no ponto da tal tabela de valores, que virou um caos generalizado na internet. Realmente não podemos deixar este câncer se espalhar por nossa categoria. Por anos nossas categoria luta por mais igualdade no mercado, reconhecimento, estamos próximos de alcançar isso em instâncias políticas-governamentais; porém, jamais conseguiremos isso socialmente, enquanto existir pessoas que, literalmente, prostituem seu trabalho e formação profissional.

 

O famoso bordão de que se você não faz, tem quem faça, realmente existe e para que ele não seja depreciador de trabalhos, devemos nos esforçar. Realmente, não devemos nos vender por qualquer preço – nem para empregadores, nem para clientes – devemos ensinar ao mercado a lidar com nossa atividade, e para tanto precisasse de mais diálogo entre os profissionais, diminuir o egocentrismo que paira sobre o mercador e principalmente, trabalhar duro.

 

A economia criativa será a grande vertente diferencial do sistema financeiro do século XXI. Exemplos não faltam.

 

O livro Como ser um designer gráfico sem vender a sua alma, da editora SENAC, tem uma abordagem interessante e entrevistas com expoentes da área que, se você tem dúvida, irá te ajudar a elucida-las e decidir se é o não algo para você. Nessa postagem, do site O Esquema, têm-se um pouco mais sobre a discussão de tabela de preços e trabalho; mas apesar de tudo isso, nós do Elemento adiantamos uma coisa: sem esforço e trabalho duro, não consegue-se alcançar nada nessa vida!